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Impacto do exercício físico na cognição ao longo da vida

Pesquisas mostram uma relação entre a condição física e cognição ao longo da vida.

Publicada em: 02/07/2012



Embora a maioria dos estudos que associam a atividade aeróbica na melhora da cognição envolvam adultos, estudos recentes mostram que maiores níveis de condicionamento físico também estão relacionados com maior desempenho acadêmico e aumento da função e estrutura cerebral em crianças. Apesar desses achados interessantes, os sistemas de ensino, muitas vezes deixam de enfatizar a importância da atividade física durante o período escolar. Uma publicação científica recente reforça esses achados.

Através de uma técnica de neuroimagem (ressonância magnética funcional) um estudo examinou a associação entre aptidão física e função cerebral em crianças. Especificamente, os pesquisadores concentraram nas diferenças da atividade cerebral de crianças com maior e menor capacidade física durante uma tarefa cognitiva. Aumento das regiões do córtex pré-frontal e parietal foram observadas em crianças com melhor condição física.

O estudo fornece uma nova visão sobre os benefícios cognitivos da aptidão física durante a infância. Sugerimos que as crianças com melhores condições físicas apresentam uma capacidade superior para ativar regiões do cérebro (frontal e parietal) importantes para o monitoramento, manutenção e elaboração de estratégias de controle cognitivo, habilidades importantes para o desempenho acadêmico em sala de aula. Os resultados fornecem mais evidências para mostrar a importância de um estilo de vida fisicamente ativo, visando melhorar o condicionamento aeróbico durante a infância.

Em relação aos efeitos do exercício físico no envelhecimento, os dados encontrados na literatura são também promissores. O declínio cognitivo é comum em pessoas com mais de 70 anos e apresenta impacto importante na qualidade de vida.

Várias pesquisas têm sido realizadas para entender os fatores que contribuem para o declínio cognitivo, determinar os biomarcadores (indicadores biológicos) ou medidas neurológicas que podem ser usadas para prever essa condição; assim como verificar quais são as melhores intervenções terapêuticas para melhorar a saúde cerebral e a qualidade de vida dos idosos.

Nesse sentido, foi publicada recentemente uma revisão sobre como o exercício físico protege o sistema nervoso contra a demência. Esse estudo discute resultados de experimentos com animais, epidemiologia, dados de biomarcadores para a demência e o papel do exercício físico na sua proteção.
Na ultíma década, muitas pesquisas foram realizadas mostrando que o aumento da função cardiorrespiratória pode melhorar a cognição em idosos com e sem deficit cognitivo.

Já está bem documentado que o exercício físico diminui a mortalidade, melhora a função cardiovascular, diminui a incidência de doença coronáriana, de obesidade, de hipertensão, de diabetes, melhora a ansiedade e depressão, entre outros, e que todos esses fatores podem exercer uma ação protetora ao sistema nervoso.

Estudos epidemiológicos mostram efeitos positivos do exercício sobre a cognição. Por exemplo, mulheres com melhor condição física apresentaram menor declínio cognitivo durante um período de acompanhamento de 6 a 8 anos.

Outro estudo recente mostrou que mulheres que apresentavam um histórico de serem fisicamente ativas em qualquer momento da vida, especialmente durante a adolescência, apresentavam uma menor probabilidade de declínio cognitivo em idade avançada.

Uma questão importante a respeito da ação do exercício físico na redução da demência é a quantidade adequada de exercício. A literatura sugere benefícios cognitivos do exercício aeróbico, mas ainda não está claro se a duração do exercício e intensidade são variáveis importantes.

Em camundongos, períodos mais longos de exercício foram mais eficazes do que em períodos mais curtos atenuando as alterações neuropatológicas provocadas pela demência.

De qulquer forma, a atividade aeróbia é a mais indicada tanto para a melhora cardiorrespiratória com para a saúde cerebral.

Em conclusão, embora não esteja comprovado o uso de medicações como ação neuroprotetora sobre a demência, a literatura científica documenta benefícios significativo do exercício físíco realizado regular sobre a cognição e sobre o risco e a progressão da demência.



Fonte: Folha de S. Paulo
Enviada por JC
Edição: F.C.
02.07.2012


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