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Caminhada por poucos minutos é capaz até mesmo de aliviar as dores de doença circulatória

A doença arterial periférica é fortemente associada ao tabagismo. Fumantes estão entre suas vítimas mais frequentes. Diabetes e hipertensão são outros grandes fatores de risco. O sedentarismo é um caminho certo para a dor.

Publicada em: 06/07/2015



Caminhar com regularidade é muito mais benéfico do que se imagina. Um estudo de pesquisadores da USP com portadores de uma doença que causa dor em andar até mesmo por ínfimos dois minutos revelou que esse hábito tão humano e desprezado aplaca o sofrimento. O educador físico Aluísio de Andrade Lima dedicou seu doutorado ao estudo da atividade física em pacientes com doença arterial periférica. Esta causa entupimento das artérias, principalmente nos membros inferiores. À medida que as placas aumentam viram trombos, que obstruem o fluxo sanguíneo. Isso pressiona os tecidos da perna e provoca dor intensa. Não há cura. A cirurgia de remoção de trombos resolve apenas temporariamente. Depois, novas placas se formam e o tormento retorna. Esse mal evolui lentamente, por anos a fio, e só se manifesta, em geral, após os 50 anos.

A doença arterial periférica é fortemente associada ao tabagismo. Fumantes estão entre suas vítimas mais frequentes. Diabetes e hipertensão são outros grandes fatores de risco. E, sugerem os estudos, o sedentarismo é um caminho certo para a dor.

Semana passada Lima foi à Suécia apresentar no XX Congresso Anual do Colégio Europeu de Ciência do Esporte um estudo no qual mostra que vítimas da doença que caminham mais têm menor pressão arterial ao longo do dia. Na pesquisa realizada no Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora da Escola de Educação Física da USP, Lima analisou dados de 73 pacientes, com idade média de 63 anos. Eles passaram por testes em esteira e tiveram a pressão monitorada por períodos de 24 horas.

— A pesquisa só confirma o que vemos no dia a dia, quando treinamos pessoas com a doença a caminhar por mais tempo. Após um treinamento de três meses, apenas duas vezes por semana, a maioria consegue caminhar por mais tempo. Quem sentia dor após dois minutos, passa a sofrer após cinco. Parece pouco, mas significa voltar a ir sozinho à padaria, por exemplo. Devolve a independência para fazer coisas simples e dá mais qualidade de vida — diz Lima, que realizou o estudo em colaboração com os pesquisadores Raphael Mendes Ritti-Dias e Gabriel Grizzo Cucato, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O fato é que a caminhada combate e diminui a dor. Há várias hipóteses para os benefícios. Uma é a redução da inflamação. Outra, o estímulo à formação de vasos. Existe também a possibilidade de que melhore o funcionamento celular.

Parece estranho que seja preciso usar a ciência para confirmar a necessidade de uma coisa tão básica quanto andar.

— O problema é que as pessoas se esquecem cada vez mais disso. Muitos problemas de saúde estão associados ao sedentarismo. Se tornou normal ir sentado, seja de carro ou ônibus, para qualquer lugar, mesmo que a poucos quarteirões de distância — destaca o educador físico Marcelo Cabral

Há quem cometa o contrassenso de ir à academia do bairro de carro. Na maioria das vezes, não se trata da exaustivamente alegada falta de tempo — a desculpa no engarrafado Rio não se justifica. É só preguiça mesmo. Outros tomam o elevador para subir dois andares ou descer um. Salvo óbvios casos de limitação física real, é um atestado de preguiça crônica tão grande que deveria fazer corar de vergonha.

— Andar todos os dias, mesmo que por meia hora, com qualquer sapato, mas andar, proporciona benefícios imensos para a saúde. Pena que muita gente insista em ignorar isso — diz Cabral.

Fonte: O Globo
Edição: F.C.



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