RETRATO 3x4 DE UMA PESSOA 100x100

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ENTREVISTA


“Primeiro você tem que fazer o que gosta e a outra coisa é diversificar”

O cartunista Jota A é um maranhense apaixonado por Teresina e um dos artistas mais premiados do Brasil. Ele é o entrevistado do quadro Retrato 3x4 de fevereiro.

A conversa com Jota aconteceu em dois momentos. Na passarela da Med Imagem e na sua casa, seu recanto de criação

Publicada em: 22/02/2019



O cartunista Jota A descobriu cedo o que queria fazer na vida. Com quatro anos de idade, esse maranhense de Coelho Neto, se apaixonou por quadrinhos e aos 19 anos teve certeza de que desenho e humor eram o seu destino. Desde então, já são 160 prêmios conquistados no Brasil e internacionalmente. Seu nome é referência no Piauí e além quando o assunto é cartum, charge, tirinha, quadrinhos e humor em “papel” e "tinta".

Sua trajetória profissional como cartunista e chargista começou no jornal O Dia e já são 31 anos de contínua atuação. Nesse meio tempo, Jota A exercitou a sua criatividade de várias formas e aproveitou as oportunidades para ampliar os espaços de apreciação, divulgação e premiação dos desenhos de humor. Não é à toa que o artista é  idealizador e curador do Salão Medplan de Humor, evento de incontestável sucesso que chega à sua 11ª edição este ano.

Apesar da aparência tranquila e do jeito tímido, Jota A é inquieto na criação. Ele abraçou as artes plásticas, sendo premiado em Portugal. Ele tem ainda um canal no YouTube, o PQP (Papo, Quadrinho e Participações) e já lançou dois livros.

Para conhecer um pouco mais da experiência e motivações desse artista que aposta na inventividade, escolhemos entrevistá-lo em dois momentos. O primeiro você confere a seguir; o outro é um vídeo feito no seu recanto de criação e que pode ser visto no final da entrevista. Vale a pena conferir!  

Med Imagem – O seu nome é José Antônio Costa, mas todo artista recebe ou forja um nome pelo qual fica conhecido, então, nos conte, por que Jota A?

São as iniciais do meu nome. Na verdade, quando eu comecei a desenhar eu assinava José Antônio, aí eu vi que José Antônio não me definia muito bem porque existem muitos José Antônios na cidade. Então, eu procurei um pseudônimo para assinar que não fosse muito distante de mim, alguma coisa que me representasse, que tivesse a ver comigo. Aí eu disse: “vou fazer uma jogada com as iniciais do meu nome” e coloquei: Joac que é José Antônio Costa e ficou ruim. Fiz uns outros tentando criar um trocadilho...e não estava conseguindo. Mas eu tinha uma amiga que trabalhava no jornal (O Dia) que se chamava Conceição. E um dia ela passou e eu disse: “Oi, tudo bom, C?”, que é a primeira letra do nome dela. E, aí, ela disse: “Tudo bem, Jota A”. E eu fiquei…“Cara, pronto, você me deu o meu pseudônimo”.  Daí eu comecei a usar e ficou. Ela era revisora do jornal, isso quando eu entrei em 1988 e tenho usado esse nome até hoje.

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Jota se inspira em fatos do cotidiano e em temas políticos do momento  

MI – E como foi que você descobriu que tinha talento para o desenho e como chegou na charge e no cartum?

Eu sempre coloco que o artista nasce artista e com o passar dos anos ele vai se desenvolvendo. Eu sempre desenhei e as imagens me eram mais fascinantes do que as letras. Eu comecei a ler os meus livros – ler, entre aspas – antes mesmo de compreender as letras. Então, eu sempre fui muito aficionado pelas imagens. O livro eu escolhia olhar pelas imagens, isso com três, quatro anos...e aí, descobri os quadrinhos...foi uma coisa...

MI – Quando foi isso?

Isso eu tinha quatro anos, nasci em 1969...vamos colocar 1973, por aí...e foi amor à primeira vista quando eu descobri os quadrinhos...(vi) que tinha milhares de desenhos, balões e eu fiquei fascinado por aquilo ali. Na época eu morava em Coelho Neto no Maranhão. Em 1980, a gente veio para Teresina e eu continuei estudando, desenhando revistinhas de super-heróis e lendo quadrinhos. Até então eu não desenhava humor. Em 1988, eu encontrei uma revista chamada Chiclete com Banana do cartunista Angeli numa parada de ônibus, jogada e faltando algumas páginas. Eu peguei aquela revista, o ônibus estava custando, e comecei a folhear. Aquilo foi como se eu encontrasse um tesouro e houvesse um estalo na minha cabeça. Eu li a revista uma, duas, três, dez, 20 vezes e na vigésima quinta vez, eu disse: “É isso que eu quero fazer, é esse tipo de arte que eu quero fazer na minha vida”. E eu comecei a copiar os desenhos do Angeli e juntei alguns desenhos e trouxe para um editor do jornal O Dia, à época, o saudoso José Fortes Alves. Ele olhou, gostou e repassou esses desenhos para o presidente do jornal Valmir Miranda e para minha sorte, o chargista deles estava saindo e eles me contrataram. Eu comecei no dia 10 de setembro de 1988 e estou até hoje...

MI – Então foi tudo muito encadeado…

Foi, foi sim. Descobri que tinha que trabalhar com isso e já levei os desenhos e logo fui contratado e não parei mais.

MI – Falando dos gêneros com os quais você trabalha. Eu acredito que muita gente ainda confunda charge com cartum, existem diferenças... 

Sim, o cartum fala do comportamento humano sem identificar a pessoa, data ou local. A charge fala de um acontecimento real. Ela é feita em cima de um fato que aconteceu em sua cidade, no seu estado, no mundo, em geral. E tem a capacidade de análise crítica que o chargista traz. Ele não desenha a ação, ele interpreta a ação do governante, do prefeito, do vereador, de alguém de governo e faz uma análise crítica sobre isso e aí ele coloca isso para os seus leitores em forma de desenho.

MI – Imagino que como você é apaixonado por quadrinhos desde muito criança, você tem suas preferências, fala um pouco delas e no caso da Marvel e DC, o que você prefere?

Olha só, eu leio desde A Turma da Mônica, porque eu tenho a desculpa que é para os meus filhos, mas primeiro eu leio. (risos) Porque a revista da Mônica tem um diferencial muito grande em relação às outras porque tem uma história muito bem trabalhada, tem um final, não são só os desenhos. Então, eu leio Mônica, leio Mônica Jovem, leio Marvel, leio DC, leio mangá (quadrinho japonês) e assisto anime (animação japonesa). Porque você tem que ser uma espécie de esponja para você ir assimilando. 

MI – Então, para você não existe diferença porque como artista você incorpora tudo. Não fica nessas divisões, todas têm suas qualidades...é isso?

Isso, não existe diferença. A diferença que existe é entre quadrinho bom e quadrinho ruim.

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Segundo ele, a charge faz uma crítica dos acontecimentos 

MI – E em relação às influências na charge e no cartum?

Quando eu descobri a revista do Chiclete com Banana eu sai louco procurando outras revistas, aí eu encontrei o Geraldão do falecido Glauco (cartunista paranaense), eu encontrei o Níquel Náusea do Fernando Gonzales e fui absorvendo como eles transmitiam as suas ideias através do desenho. Encontrei o Ziraldo que tem um desenho fantástico, uma ideia muito boa. O Dalson Machado que é um cartunista e foi inclusive jurado no último Salão Medplan de Humor. Desde a primeira edição que eu tento trazer o Dalson para Teresina, porque além dele  trabalhar de forma maravilhosa a charge, a caricatura, ele é um cara super gente fina, que transmite as informações que ele acumula. Ah, mas eu esqueci de citar dois grandes influenciadores do meu traço que é o Henfil…

MI – Estava esperando você citar, porque eu amo de paixão o Henfil…

O Henfil é fantástico não só o desenho, mas o texto, a construção das histórias. E o outro é o Pelicano que é irmão do Glauco. Então, eu tenho muito do desenho do Henfil que é o olhão grande, tem o nariz, tentar dar um movimento ao desenho. O Henfil conseguiu fazer com que o bonequinho dele desse a ideia de correr só com um simples traço.

MI – Tem alguém das novas gerações que você destacaria, seja no cartum, na ilustração...

O Izânio (Façanha) tem um trabalho muito bom, ele conseguiu sair do papel para o tablet de uma maneira muito interessante. Gosto muito do Jônatas (Almeida)...gosto muito do trabalho dele que é vetorial.

Continuação da entrevista: Parte 2.  



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