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ENTREVISTA


Parte 2 - “Primeiro você tem que fazer o que gosta e a outra coisa é diversificar”

Segue a 2ª parte da entrevista com o cartunista Jota A. Ele fala sobre o Salão Medplan de Humor e muito mais.

Jota A nos recebeu na sua casa que é uma "galeria" com seus trabalhos e de outros artistas

Publicada em: 22/02/2019



MI – E como você definiria o teu traço? 

Eu tento fazer um desenho engraçado, onde as pessoas possam sorrir. Se a piada não estiver boa, se o texto não estiver bom, que elas, pelo menos, possam sorrir com os meus desenhos. E, assim, o meu traço vem mudando, eu sempre estou tentando aperfeiçoar os meus desenhos. Eu tento melhorar o meu traço.

MI – Então, há evolução, não tem esse negócio de você ter uma marca e dizer esse é o meu desenho e ele é inalterável?

Não, não. Eu acho que as pessoas devem estar abertas às mudanças diárias. Inclusive, muitas vezes, você encontra um cartunista muito bom na internet e gosta muito de como ele retrata determinada situação. E, às vezes, querendo ou não, a gente consegue tirar alguma coisa do desenho desse cartunista ou da forma como ele faz seus textos.

MI – Falando de jornal, a gente sabe que ele passa por uma crise, principalmente, por causa da internet, aí eu te pergunto: você acha realmente que os jornais vão acabar?

Eu sou um apaixonado e como apaixonado eu acredito que eles não vão desaparecer. Eles podem sofrer com a diminuição de leitores, que acontece não só porque as pessoas estão migrando por migrar para a internet, é porque é mais barato mesmo. O jornal tem um custo de uma assinatura e você entra num site e tem uma coisa que está lá de graça, que você não paga. Então, o jornal está, sim, passando por algumas modificações, está se adequando, ele presta outro tipo de informação do que há 10 anos. É uma análise mais profunda dos acontecimentos. Ele não dá só uma informação, então, essa é a importância do jornal, das revistas semanais.

MI – Além de cartunista, chargista, você é ilustrador de livros, revistas e também artista plástico. Na hora de criar existe diferença ou pra ti é tudo muito orgânico?

Não, é muito orgânico. O que vai diferenciar são os materiais. Por exemplo, a charge eu preciso de muita informação para fazê-la. As ilustrações para os livros, eu preciso ler o texto para me identificar com o que o autor quer. A criação gráfica de um livro todo é preciso que haja um estudo sobre o que o cliente quer, qual é o tipo de ilustração, se é infantil, se é mais adulta, se é realista. E as artes plásticas têm que ter a questão do material. Eu trabalho com tela, com papel e tento sair, às vezes, dessas formas normais que é tela e papel.

MI – Na sua avaliação, o cartum e a charge seguem fortes na sociedade? Tem gente se dedicando a essa forma de humor?

Olha, tem, tem sim e o Salão Medplan de Humor tem justamente essa função de fazer com que novos cartunistas surjam, porque, veja, você proporcionando a divulgação, a premiação, bem como a publicação do desenho, você faz com que os cartunistas produzam. Porque hoje, graças à internet, você produz e bota no mundo, mas é necessário que existam outros meios, inclusive, financeiros para mostrar para aquele cartunista que ele está no caminho certo. Eu tive uma sorte muito grande de ter sido premiado logo nos primeiros meses de trabalho. Isso me mostrou que eu estava no caminho certo. Eu pensei: “Poxa, se eu fui premiado é porque o meu trabalho tem valor”. E essa é nossa intenção também com o Salão. 

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O 10º Salão Medplan de Humor teve como tema a "Paquera". Esse ano, o tema já foi escolhido

MI – Então, o balanço é o de um evento de sucesso...

É um evento de sucesso e a cada ano cresce não só na premiação, porque a cada categoria o valor aumenta, mas também nos preocupamos com a divulgação dos trabalhos. Desde a primeira edição a gente fez um calendário, um catálogo que é muito importante, que funciona como um cartão de visita, como uma consagração do seu trabalho. Ele pode mostrar para a mãe, para o pai, para os amigos e pode servir como um portfólio. E isso é uma forma do Salão prestar contas do que recebe. O artista acompanha não só pela internet, mas também com o catálogo que vai para os que tiveram seu desenho selecionado.

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Todo ano, o Salão reúne em catálogo parte dos trabalhos selecionados 


MI – Eu queria também saber como é trabalhar no Piauí como cartunista. Claro que no seu caso, que é um artista reconhecido e premiado é diferente, mas o que você diria para quem está começando?

Primeiro você tem que fazer o que gosta e a outra coisa é diversificar. Você desenha? Pinte. Você desenha e pinta? Trabalhe esse material com um programa gráfico, trabalhe com spray, com tintas alternativas, pinte tela, pinte o chão, pinte o muro, faça histórias em quadrinhos, faça caricatura, faça tirinhas, publique no Face, num blog, faça parte de um grupo, de um núcleo na internet, interaja com os artistas. O cara lançou um livro, vai lá, compre o livro dele. Tem uma revista bem aqui, leia a revista...Leia, desenhe, pinte, a ideia é essa! É fazer muitas coisas, não ao mesmo tempo, mas tentando fazer bem cada uma delas. E aí você estará preparado para participar de vários eventos. Às vezes, eu sou chamado para fazer capa de livros, outras para fazer o livro todo, outras para fazer uma caricatura, participar de um evento de caricatura ao vivo, às vezes, sou chamado para ser curador. Então, eu acho que as pessoas devem estar fazendo aquilo que gostam e procurando vários caminhos para se aperfeiçoar e fazer coisas ligadas a esse seguimento que escolheu, explorando todas as possibilidades.

Por Catarina Santiago

Imagens: Daniel Cardoso e Francisco Júnior. 
Edição de vídeo: Wellington Lima.



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