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PORQUE SOMOS TRISTES

Como explicar a razão pela qual, apesar de todas as conquistas materiais, a humanidade vive mergulhada em tanta ansiedade e frustração coletiva ?

Publicada em: 11/04/2005



“O que existe no mundo moderno, no qual, apesar de todas as maravilhas tecnológicas, nos percebemos tão desconfortáveis, tão incapazes de nos sentirmos  realizados?” – esta pergunta cada vez mais é feita pelas pessoas, sobretudo as mais jovens, as quais se dizem “vivendo dentro de um padrão distante daquilo que seria a maneira autenticamente humana de viver, de existir”.

Recentemente passei por uma experiência marcante: necessitando ampliar o grupo de cardiologistas de Medimagem, entrei em contato com hospitais de São Paulo solicitando que me fosse indicado um cardiologista com título de especialista que aceitasse vir morar em Teresina. Após alguns dias recebi ligação telefônica de uma jovem médica, da qual obtive excelentes referências profissionais, e que concordava em vir trabalhar conosco. Um mês depois a Dra. Cássia (vamos usar este codinome, para preservar-lhe a privacidade) chegou a Teresina, tendo surpreendido a todos com sua energia e sua aparente alegria. Nos seus primeiros dias de trabalho ficou claro para todos os médicos que passaram a trabalhar com Dra. Cássia que havíamos encontrado a perfeição, pois além dos atributos acima, a doutora era muito competente tecnicamente. Logo acertamos todos os detalhes salariais, horários de trabalho, etc.  Passados cerca de dois meses, e com o nosso encantamento com as virtudes da jovem médica tornando-se cada vez maior, pois ela já havia elaborado dois projetos de trabalho a serem implantados, fomos surpreendidos com uma ligação de Dra. Cássia, dizendo-se muito triste e solitária em Teresina, ao mesmo tempo em que sentia grandes saudades de São Paulo. Ora, ao chegar aqui ela dizia não suportar mais a vida vazia e hostil da grande cidade ! E agora o discurso sofria esse revés ... Foi-se a doutora, abandonando clientes, amizades que se iniciavam e expectativas que se abriam. Perdi contato com aquela pobre menina, até que 4 meses depois, exatamente na tarde de 31 de dezembro de 2002, recebo uma ligação de Dra. Cássia iniciando a conversa com a desconcertante frase: “Será que ainda há lugar para mim; posso voltar ?”. Surpreso e atordoado respondi: “Sem dúvidas, doutora !” . Quinze dias depois aqui estava de volta aquele ser dividido, não ficando conosco mais que dois meses: fugiu novamente ! Ansiosa, disse-me ao telefone, no dia de sua nova partida: “desculpe-me, não sei o que fazer, ainda não sei o que desejo fazer da minha vida...”

Carro próprio, forno de micro-ondas, liberdade sexual, telefone celular, independência financeira, videocassetes – tudo isso tem suas virtudes, mas no curso diário de nossas vidas altamente eficientes, há cada vez mais momentos em que alguma coisa parece profundamente extraviada, perdida no caminho. Seja pela opressão de uma afobação, um alvoroço, um confundimento esmagador criado pela submissão diária aos códigos e compromissos, seja por uma crescente sensação de isolamento social (ou, ocasionalmente, pelas duas coisas) é comum ouvir pessoas que aparentemente levam uma vida confortável, queixando-se de enfrentar uma existência sem pé nem cabeça, passando a impressão de estarem mergulhadas em profunda ansiedade. Qual a fonte desse estresse surdo que infiltra cada vez mais a vida moderna?  Porque é cada vez maior o número de pessoas que se queixa de pagar um preço existencial muito alto por uma vida que lhe foi prometida mas que não é entregue ?
Este tema começou a ser abordado por Freud, em seu "O Mal-Estar na Civilização" . Mas, de Freud até os dias atuais as análises raramente ultrapassaram os limites do óbvio e do dúbio. As interpretações de Freud sobre o tema nos parecem hoje, no mínimo, exóticas: ele supunha, por exemplo, que nossos ancestrais viveram numa “horda primitiva” liderada por um macho autoritário, até um dia em que um bando de seus irmãos revoltou-se, eliminado-o e comendo sua carne – uma rebelião que não somente, e miraculosamente, inaugurou as religiões, mas que de alguma maneira deixou um resíduo de culpa em toda sua descendência, incluindo-nos. Figura bizarra, este tal de Freud ! Não surpreende que ele ande tão relegado ao esquecimento.
Atualmente há um grupo de pesquisadores (psicologistas-evolucionistas) tentando fazer coisa melhor, adotando métodos menos fantasiosos e estranhos que os de Freud.
(Continua).


 PARTE II

Estes estudiosos estão desenvolvendo trabalhos em um novo campo , denominado “teoria da má combinação”, o qual estuda doenças resultantes do contraste entre o meio ambiente moderno e o “meio ambiente ancestral” para o qual fomos “desenhados” pela seleção natural, durante os últimos milênios. O que não falta são tais doenças para serem estudadas: os índices de suicídio estão duplicando a cada 10 anos nos países industrializados. Suicídio já é a 3ª causa mais comum de mortes entre adultos jovens nos Estados Unidos, estando atrás apenas dos acidentes de carros e dos homicídios. Se considerarmos o tabagismo, o alcoolismo e o consumo de drogas como variantes do suicídio os índices se tornarão ainda mais alarmantes. Nas grandes cidades brasileiras o índice de mortalidade na população masculina com idade entre 18 e 30 anos é maior que o observado nos países em guerra, incluindo o Iraque.  Além disso, 15 % de toda a população americana apresenta doenças diretamente relacionadas à ansiedade. Sabemos, também, que a alienação mórbida é, cada vez mais, a marca registrada do nosso tempo.

A psicologia evolucionista está longe de explicar com precisão toda esta confusão em que estamos metidos, mas já está colocando alguma luz sobre a escuridão, fornecendo algumas contribuições que permitem desafiar certos conceitos convencionais. Por exemplo, aquela cultura nostálgica segundo a qual mundo bom era aquele da “família nuclear”, que existiu até a década de 50, no qual o marido trabalhava fora e a mulher ficava em casa cuidando da criança e dos afazeres domésticos, embora muito caro à psicologia evolucionista nunca mais será um bom arranjo, um pacto saudável. Sobretudo para a mulher. Afinal de contas, o capitalismo veio para ficar, e num cenário de sociedade capitalista a tentativa de conciliar família medieval e a cultura de consumo resulta numa mistura explosiva.

Uma das grandes surpresas da psicologia evolucionista consiste na constatação do “animal” que existe em cada um de nós.  Desde Freud vem sendo dito que a “civilização” é uma força opressiva que frustra, impede a manifestação de nossos impulsos animais básicos, principalmente aqueles ligados à agressividade e à sexualidade, empurrando-nos, pela frustração de tais impulsos, para o domínio da doença mental. Não tão evidente, mas igualmente válida é a constatação de que outra grande ameaça atual à saúde mental pode ser, também, a forma como a civilização contraria, frustra a civilidade. Isto mesmo; há um lado doce, gentil da natureza humana que necessita se manifestar, mas que vem se tornando uma vítima crescente de repressão cultural. Há apenas meio século era freqüente que as pessoas se ajudassem de modo despropositado: minha mãe não pôde amamentar-me, e na pequena cidade de Piracuruca, onde nascí , suguei, por meses, as mamas de uma vizinha que também alimentava seu próprio filho. Durante seis meses um tio, irmão de meu pai, viveu em nossa casa, em Teresina, enquanto cuidava de sua enfermidade ortopédica. Hoje tais atitudes são impensáveis, e se um irmão se demora em tua casa por mais que algumas horas, já desperta uma sensação de desconforto e inconveniência em todos. Imagine, hoje, uma vizinha pedindo que sua esposa amamente 4 vezes por dia seu (dela) filho recém nascido, por um período de, digamos assim, 8 meses ! Ou então, considere a possibilidade de seu irmão, em dificuldades financeiras, hospedar-se, com esposa e filho, em sua casa, durante algumas semanas ... O culto ao despreendimento, ao compartilhamento, tem, na cultura moderna, adquirido uma nítida conotação de desvantagem, signo de perdedor, hábito de ser primitivo.

A vasta combinação de elementos sociais e culturais que moldaram a mente humana no curso dos últimos vinte, ou trinta séculos, está, é claro, perdida da escuridão da pré-história. Na tentativa de reconstruir o “meio ambiente ancestral”,  os psicólogos evolucionistas analisam aproximações disponíveis – as sociedades primitivas que fazem o deleite dos conservadores e saudosistas de um mundo ilusoriamente romântico, fantasiosamente idílico. Os mais citados exemplos são as várias sociedades de caçadores-coletores que os antropólogos estudaram nos últimos anos, em algumas regiões isoladas do planeta, sobretudo no sudeste da África e aqui no Brasil, na fronteira com a Venezuela, onde vivem as tribos Ianomani. Em nenhuma dessas sociedades a existência é “odara”, como supunha Jean Jacques Rousseau em seu “O Contrato Social”, ao falar do “selvagem nobre”. A coisa é mais para o que supunha Thomas Hobbes, quando dizia que a vida de nossos ancestrais mais distantes era “sórdida, brutal e curta”. Devemos, pois, despir a neblina de romantismo do mito de beleza idílica que envolve a existência humana no mundo pré-industrial, o qual alimenta sonhos de retorno da nossa espécie a uma existência semelhante àquela dos tempos primitivos.

Embora os psicólogos-evolucionistas adorem sonhar com o meio ambiente de nossos ancestrais, poucos aceitariam comprar uma passagem sem retorno para aquele mundo. Entretanto, dizer que não gostaríamos de viver como nossos ancestrais não significa dizer que não devamos aprender muito com eles. Até porque, foi para viver num mundo já desaparecido que as nossas mentes, tão desconfortáveis neste cenário de hoje, foram lentamente adaptadas.

É interessante saber que nossos ancestrais muito antigos já disputavam por acasalamento com grande habilidade, malícia e trabalho duro. Eles competiam em busca de status social com grandes sutilezas, jogos de palavras e transações políticas. E esta competição, embora sutil, tinha conseqüências darwinianas: antropólogos têm mostrado que machos caçadores-coletores bem sucedidos na competição por status obtinham mais sucesso no acasalamento, garantindo melhor e mais bem sucedida transferência de seu patrimônio genético para a próxima geração. E transferir herança genética para a próxima geração era, bem ou mal, o critério que definiu a estrutura da mente humana. As características mentais que conduziam à proliferação genética eram aquelas que possibilitavam a sobrevivência daquele acervo genético. São estes impulsos que hoje constituem e conduzem nossas mentes; não somos muito mais que isso, fomos desenhados para espalhar nossos gens, no contexto de uma estrutura social primitiva. A boa notícia é que disputando tal jogo fomos conduzidos a adotar alguns sentimentos bastante amigáveis. Uma vez que a cooperação social aumentava, e ainda aumenta, as chances de sobrevivência, a seleção natural impregnou nossa mente com uma estrutura dirigida para a busca de relações de amizade, incluindo afeição, gratidão e confiança. Ou seja, em linguagem técnica, herdamos as ferramentas para a prática do “altruísmo recíproco” . Não devemos esquecer que os filhos são a única maneira de transporte dos nossos gens para a posteridade, o que explica satisfatoriamente a imensa alegria do amor que ofertamos às nossas crias. 

PARTE III 

Todavia, como em tudo o mais, há um lado negativo. Pessoas têm inimigos – rivais sociais – assim como têm amigos, desenvolvem ressentimentos, assim como gratidões, suspeitam de alguns, assim como confiam em outros. Seus filhos, sendo geneticamente conduzidos, podem fazê-los muito orgulhosos, como também profundamente desapontados, zangados ou ansiosos. Pessoas experimentam os calafrios da vitória, mas também a agonia do fracasso. De acordo com a psicologia evolucionista, estes sentimentos desagradáveis que fazem parte de nossas vidas, estão conosco até hoje, porque ajudaram nossos ancestrais a transmitir seus gens às gerações seguintes. A ansiedade os estimulou a levar seus filhos para longe dos perigos, ou a guardar alimentos, mesmo quando eles eram abundantes. Tristeza ou desânimo - após uma experiência socialmente frustrante - conduzia a uma condição mental que desencorajava a repetir comportamentos que levassem à ocorrência do experimento doloroso (“Tentar se aproximar da fêmea de um sujeito maior que eu não é uma boa idéia”!). Assim, a utilidade herdada dos sentimentos desagradáveis se constitui na razão pela qual a infelicidade periódica é uma condição natural (encontrada em qualquer cultura, em qualquer tempo) da qual é  impossível escapar.

O que não é natural é o tornar-se louco, com uma situação de tristeza arrastando-se para uma condição de depressão debilitante, ou uma ansiedade tornando-se crônica e paralisante. Estas são as clássicas doenças da modernidade. Quando pesquisadores estudaram vilas rurais em Samoa, descobriram que, em seus habitantes, as dosagens sanguíneas de cortisol  eram surpreendentemente baixas. O cortisol é um hormônio que tem sua produção aumentada em portadores de ansiedade. Quando antropólogos europeus tentaram pesquisar a depressão entre os habitantes da Nova Guiné não foi possível realizar o estudo – não havia um só caso de depressão entre eles...

Uma coisa que contribui muito para transformar o sentimento natural de tristeza ocasional ou de desânimo passageiro na doença conhecida como depressão é o isolamento social.  Ora, hoje em dia 1 em cada 4 lares de classe média, nas grandes cidades do mundo, é constituído por uma só pessoa.    Até o ano de 1940 esta proporção era de somente 8%, podendo-se afirmar que era praticamente de O% até 200 anos atrás. As sociedades antigas, apesar de todas as suas diversidades geográficas e culturais, tipicamente se caracterizavam por intimidade e estabilidade: as pessoas convivam em contato muito próximo com as mesmas dúzias de amigos e parentes, durante décadas. Elas poderiam se movimentar até uma vila próxima, retornando logo em seguida; mas a grande maioria das pessoas nascia e morria sem jamais se distanciar mais que algo em torno de 15 quilômetros do local em que cresceram, passaram a infância.  Todos aqueles que viveram em cidades pequenas podem atestar, intimidade social cobra um alto preço da privacidade:todo mundo sabe tudo de todo mundo !

Hoje o isolamento residencial é brutal: o controle eletrônico do portão da garagem permite que você dirija o carro até a sala de sua casa, com risco zero de encontrar-se com o vizinho, do qual você, por vezes, desconhece até mesmo o nome.

A forma de viver e morar atual é particularmente dura para a mulher com filhos. Até recentemente as mulheres podiam conciliar  vida doméstica e vida profissional de modo relativamente harmônico, num contexto social favorável. Enquanto elas cuidavam de obter alimentos seus filhos permaneciam com seus irmãos, primos, avós,ou amigos de longa data, todos eles residindo nas proximidades. Assim, o cuidar das crianças era uma tarefa comunal, compartilhada.

Aliás, a psicologia evolucionista ajuda a explicar porque a explosão do movimento feminista se deu após o início das modificações da estrutura urbana e social observada a partir da metade do século passado (1950 em diante), ocasionando aquilo que os médicos passaram a chamar de “síndrome da dona-de-casa”, e que Betty Friedam, uma proto-feminista americana chamou, em 1963, de “o problema que não tem um nome”, para definir o crescente “desespero calmo” , a raiva e a desesperança da mulher que permanece, solitária, em casa, durante toda a jornada diária, a cuidar de crianças, muito mais exposta à depressão que as mulheres que trabalham fora de casa.

Todavia, mesmo as mulheres que trabalham sofrem um desconforto maior e mais freqüente que aquele ao qual os homens que trabalham se encontram submetidos. Afinal, é completamente antinatural que uma mulher acorde pela manhã, super-apressada, entregue seu filho para alguém que mal conhece, trabalhe durante 8 a 10 horas, e retorne para revê-lo, cheia de culpa e ansiedade.

Enfim, capacitar a mulher para ser trabalhadora e mãe, ao mesmo tempo, talvez seja o maior desafio social de nosso tempo.

Agora, diga-me: você já pensou no quanto a tecnologia contribui para o isolamento: automóvel, telefone, internet, geladeira, micro-ondas e, a mais terrível de todas, a televisão (principalmente se estiver conectada a um DVD e à TV a cabo). Hoje em dia, uma pessoa “normal” vê televisão durante cerca de 28 horas por semana – isto representa uma enormidade de contatos sociais que você poderia estar fazendo, e não faz ! E, o que é mais terrível, a televisão destrói nossa auto-percepção. Sendo uma espécie voltada para a competição social, tendemos, naturalmente, a nos comparar com as pessoas que vemos, ou seja, aqueles que nos estão próximos funcionam como nossos “espelhos” mentais. Todavia agora somos induzidos a comparar nossas vidas com as “vidas de fantasia” que vemos na TV e, a partir daí, nossas próprias esposas, pais e filhos começam a ser desclassificados por comparação. Logo nos tornamos frustrados com seus modos de ser, suas aparências físicas, e ainda mais decepcionados com nós mesmos e com nossos padrões e estilos de vida.

E como nosso maquinário mental se adaptará à total irrealidade que a Internet representa ? Pessoas se conhecendo, conversando e até fazendo sexo, sem que jamais tenham tido qualquer contato visual, ou tenham se tocado ! Ainda não são conhecidos os efeitos psicológicos de todos estes desafios adaptativos urgentes, mas seguramente eles não serão benignos.

Enquanto isso, o que fazer com todos estes impulsos criados em nós pela seleção natural, como imperativos genéticos implacáveis: amor, pena, generosidade, remorso, afeição verdadeira e amigável confiança, por exemplo, são parte de nossa herança genética. E, bizarramente, muitos desses impulsos afetivos são frustrados pela estrutura da sociedade moderna, talvez mais até do que os impulsos “animais”. O problema com a vida moderna, e que se constitui no grande motor de nossa tristeza endêmica, é que, de modo crescente, estamos fugindo do outro, num movimento de “sub-sociabilidade”, sobretudo porque muito pouco da nossa “vida social” atual  é realmente social no sentido natural, desinteressado, da palavra. A vida social é agora uma experiência artificial, planejada, obsequiosa, plastificada, astuta e ansiogênica.  Ora, fomos desenhados geneticamente para buscar relacionamentos confiáveis, autênticos, e nos sentimos desconfortáveis e inseguros na sua ausência. O que se vê no momento nesta sociedade baseada numa economia tecnologia-intensiva, na qual a maior parte do nosso tempo de lazer é gasto  eletronicamente, é o restante sendo empregado para atender compromissos “sociais” de natureza muito mais profissional que afetiva.

Ah, e a arquitetura urbana, como contribui para o escurecimento do horizonte daquele que habita a grande cidade !: sem praças, parques, florestas, espaços para pedestres ou ciclistas, enquanto  assaltantes e o “bicho-carro” espreitam em cada esquina, tudo empurra para o medo, a insegurança, o isolamento. A psicologia evolucionista sugere que tendemos a comparar nosso bem-estar material; não com um modelo-padrão, mas com aquele dos que nos estão próximos. E agora os que estão mais próximos de nós são os personagens da T.V. e da revista Caras. Isto explica o crescente sentimento de frustração das pessoas, embora nos últimos 50 anos a renda per-capita e a possibilidade de acesso aos produtos de consumo e ao conforto tenha se elevado continuamente.

Felizmente ou não, a seleção natural é nosso contínuo criador, nosso Deus, e talvez estejamos sendo preparados para mais um novo desafio de sobrevivência da espécie. Quem sabe o desafio de, por volta do ano de 2.144, quando o planeta Terra estiver totalmente inabitável, nossos descendentes, colonizando o universo no interior de estações orbitais, redescobrirem o poder dos relacionamentos desinteressados e não competitivos, que estão nas raízes de nossa espécie, e que faziam a alegria e o equilíbrio existencial dos membros da mesma tribo.


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