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Para dias saudáveis, uma boa noite de sono

Com o avanço da idade, ocorrem mudanças naturais na qualidade do sono.

Publicada em: 22/07/2011



Quando eu era mais jovem, considerava o sono um mal necessário, a maneira de a natureza conter meu desejo de espremer o maior número possível de atividades em 24 horas. Minha negligência estava cobrando um preço que eu não percebia totalmente. Eu adormecia no balé e no teatro (meu marido chamava nossas noites no balé e no teatro de "os cochilos mais caros de Jane") e, por duas vezes, adormeci à direção, evitando desastres por pouco.

Hoje, percebo que eu vivia em um estado de privação de sono crônica. Como revelaram pesquisas citadas na "New York Times Magazine", "as pessoas privadas de sono são péssimas juízas de nossas necessidades de sono. Não chegamos nem perto da atenção que pensamos ter".

Estudos demonstraram que as pessoas funcionam melhor depois de sete ou oito horas de sono. Por isso, minha meta passou a ser dormir sete horas seguidas, a quantidade associada ao menor índice de mortalidade. Mas, na maioria das noites, algo parece interferir e me mantém acordada além do horário.

Eu não sou a única. Entre 1960 e 2010, a noite de sono média para adultos nos EUA caiu de mais de oito horas para seis horas e meia. Alguns especialistas preveem um declínio continuado, graças a distrações como e-mail e mensagens de textos e as compras on-line.

A idade pode ter um efeito prejudicial sobre o sono. Em uma pesquisa feita em 2005 com 1.003 americanos de 50 anos ou mais, a Organização Gallup descobriu que apenas um terço dos adultos mais velhos tinha uma boa noite de sono todos os dias, menos da metade dormia mais de sete horas, e um quinto dormia menos de seis horas.

Com o avanço da idade, ocorrem mudanças naturais na qualidade do sono. As pessoas podem demorar mais para dormir e tendem a ficar sonolentas mais cedo à noite e acordar mais cedo de manhã. Passa-se mais tempo nas fases leves do sono e menos no sono profundo restaurador. O sono REM, durante o qual a mente processa emoções e memórias e alivia as tensões, diminui com a idade.

Os hábitos que prejudicam o sono muitas vezes acompanham o envelhecimento: menos atividade física, menos tempo passado ao ar livre (a luz do sol é o principal regulador corporal da sonolência e da vigília), menos cuidado com a dieta, a ingestão de remédios que podem perturbar o sono, cuidar de um cônjuge doente, ter um parceiro que ronca.

Alguns usam álcool para induzir o sono; na verdade, ele perturba. Acrescente a essa lista questões de saúde que tiram o sono, como dores da artrite, diabetes, depressão, ansiedade, apneia do sono, calores nas mulheres e aumento da próstata nos homens.

E uma boa noite de sono é muito mais que um luxo. Ela beneficia a concentração, a memória em curto prazo, a produtividade, o humor, a sensibilidade à dor e a função imune.

Mais sono pode até deixar as pessoas mais atraentes. Em um estudo publicado on-line em dezembro na revista "British Medical Journal", pesquisadores na Suécia e na Holanda relataram que 23 adultos privados de sono pareciam menos saudáveis, mais cansados e menos atraentes do que depois de uma noite de sono.

Perder o sono também pode engordar. Em um estudo de pesquisadores da Universidade Harvard envolvendo 68 mil mulheres de meia-idade acompanhadas durante 16 anos, as que dormiam cinco horas ou menos por noite tinham 2,4 quilos a mais -e 15% maior probabilidade de obesidade- do que as que dormiam sete horas por noite.

Pesquisadores descobriram que os que dormem pouco têm níveis menores de leptina, que suprime o apetite, e níveis altos de grelina, que provoca um aumento no consumo de calorias.

Conclusão: resista à tentação de espremer mais uma coisa no seu dia. Se você tiver dificuldade para adormecer ou costuma acordar durante a noite, cultive hábitos saudáveis e mantenha um bom livro na cabeceira da cama.

 

Fonte: Folha de S. Paulo/Jane E. Brody
Edição: F.C.
22.07.2011



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