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O perigo das agressões sonoras

O médico radiologista José Cerqueira Dantas fala sobre as consequências da poluição sonora para a nossa audição.

Publicada em: 30/03/2011



Quando você atira uma pedra num lago é possível ver os efeitos do impacto mecânico sobre a superfície da água. Ele se manifesta sob a forma de ondas, que se dirigem até as bordas do lago.

Quanto maior a pedra e/ou a força com que foi arremessada, maior será o volume das ondas causadas, e mais intenso será o impacto das mesmas sobre as margens do lago. Os "tsunamis" são manifestações gigantescas deste fenômeno mecânico.

As ondas sonoras se propagam através do ar exatamente da mesma forma que as ondas propagam-se na superfície da água.

Quando você, por exemplo, puxa a corda de um violão e a solta, aquela energia sob a forma de onda comprime o ar adjacente e termina por penetrar em seus ouvidos, desencadeando em você o complexo sentido da audição.
A percepção do som pelos humanos ocorre após uma sequência de transformações de energia sonora em energia mecânica, e daí em energia hidráulica e por fim em energia elétrica.
 
O ouvido humano é um orgão extremamente delicado e frágil, desenvolvido pela nossa evolução durante os últimos 2 milhões de anos, tendo desempenhado importante papel em nossa sobrevivência. Cercado de ameaças que nos rondavam dia e noite, tendo que percorrer trilhas estreitas e obscuras em florestas densas, o homem precisava de ouvidos extremamente sensíveis para identificar perigos, antes mesmo que fossem vistos. O ouvido nos ajudava a decidir: atacar ou fugir ?

Assim a evolução nos levou ao desenvolvimento de minúsculas e delicadas estruturas ósseas auditivas(menores que um grão de arroz) ligadas a membranas e ligamentos extremamente sensíveis, capazes de captar ruídos muitos discretos. Somos capazes de ouvir o bater das asas de um mosquito, e conseguimos distinguir 400.000 tipos de som !

Todavia, todo este mecanismo   é muito delicado, muito frágil, tendo sido desenhado para detectar ruídos de baixa intensidade. É por isso que ele foi "guardado" pela natureza no interior do osso mais duro do nosso corpo: a caixa "petrosa" (de pedra) do osso temporal !
 
Infelizmente a natureza não foi capaz de prever que um dia o próprio ser humano desenvolveria máquinas capazes de produzir sons com intensidade 2.000 vezes superior àquelas que nossos ouvidos são capazes de suportar. Os barulhos intensos provocados pela música eletrônica dos carros de som provocam ruptura do tímpano, quebra dos ossículos, desintegração de células neurais e vários danos sensoriais, o que resulta em surdez progressiva, dores de cabeça, irritabilidade, zumbidos, vertigens, fadiga, insônia, perda da capacidade mental, disturbios do equilíbrio, alterações sexuais, depressão, acidentes vasculares cerebrais, distúrbios digestivos, angústias, problemas hormonais, alterações do sono, inabilidade para executar tarefas, epilepsia, doenças cardíacos e muitos outros males.

A maioria dos países aplica leis rígidas contra aqueles que provocam poluição sonora. Existem documentos que confirmam a existência de normas públicas contra o barulho provocados por veículos puxados por animais, nas primeiras ruas pavimentadas da cidade de Roma, há 1700 anos !

Atualmente, no Brasil, a maior causa de poluição sonora são ou VEICULOS AUTOMOTORES ! A Organização Mundial da Saúde recomenda que as autoridades públicas devem combater ruídos urbanos que ultrapassem 50 decibéis, mas nas cidades brasileiras pessoas completamente enlouquecidas passeiam nas ruas, sem qualquer motivo justificável e sem qualquer controle, irradiando sons com intensidade superior a 120 decibéis, praticando violenta agressão à saúde pública !
 
Em muitas capitais brasileiras as iniciativas públicas praticamente eliminaram a ocorrência da prática deste delito: Curitiba e São Luis são cidades nas quais veículos equipados com aparelhos de poluição sonora são realmente apreendidos, e seus proprietários sofrem ações penais. Toda autoridade pública digna precisa cuidar para que todos os habitantes da cidade que administram usufruam do direito a uma vida saudável e emocionalmente equilibrada. Os carros de som são uma ameaça à saúde e uma ofensa à dignidade.

Disk-denúncia

Para denunciar esta prática em Teresina, podem ser utilizados os telefones da Delegacia do Silêncio, que são 3216 5230, de segunda a sexta-feira, e pelo celular 8823 6768, disponível de quinta-feira a sábado, das 22h às 4h, e aos domingos, das 7h às 3h de segunda-feira. Pessoas incomodadas por barulho podem também usar os telefones das SDU Centro-Norte (3215 7460), SDU Leste-Sudeste (3215 7874) e SDU Sul (3215 7660).

J.C. Dantas
30/03/2011

 


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