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HALITOSE


Mau hálito é coisa do passado

Publicada em: 24/05/2005



Quando um aroma é agradável, nos sentimos atraídos e até confortáveis. Já quando percebemos um odor desagradável, ficamos em situação incômoda e nos afastamos o mais rápido possível.

Existem pessoas que têm mau hálito (halitose) e não sabem disto- à sua volta quase todos percebem, incomodam-se, mas, por constrangimento, ninguém tem coragem de contar-lhes. Halitose é um problema de grande importância, pois o paciente pode já estar sendo evitado por amigos, colegas de trabalho, e até mesmo por familiares. Os vínculos de relacionamento passam a ser prejudicados, gerando angústia e depressão no portador da halitose crônica.

A maior parte das halitoses tem origem na cavidade bucal sendo o fator causal mais importante a presença de saburra lingual, que nada mais é que a placa bacteriana que se instala no dorso da língua. Esse acúmulo se deve, entre outras causas, à redução do fluxo salivar (xerostomia)

As bactérias anaeróbicas presentes nesta saburra liberam como resultado do seu metabolismo composto de odor desagradável denominados compostos sulfurados voláteis (CSV).

Há uma extensa e variada rede de fatores que interferem no hálito e isto torna, em certos casos, complexo o diagnóstico da halitose.

Em levantamentos epidemiológicos feitos no Brasil, por volta de 1990, pela professora e pesquisadora Olinda Tárzia e equipe, da Faculdade de Odontologia de Bauru (USP), chegou-se à conclusão de que 30% da população (em qualquer idade) tem problema de mau hálito, o que equivale dizer que mais de 50 milhões de brasileiros padecem do mal.

Como exemplo da amplitude de fatores que podem levar à halitose podemos citar que tanto a diarréia (provoca a desidratação, levando à xerostomia) quanto a prisão de ventre (pela absorção no trato digestivo de moléculas de menor peso, portanto mais voláteis, que quando possuem odor carregado comprometem o hálito ao serem ao serem absorvidos e entrarem na corrente sanguínea, atingindo rapidamente os pulmões de onde são exaladas com a respiração) podem ser causas secundárias.

Até bem pouco tempo atrás (uma década), os equipamentos de suporte ao tratamento de halitose só eram encontrados em laboratórios de pesquisa avançados, por serem muito sofisticados e caros, que inviabilizava sua utilização pelo clínico geral. Como desenvolvimento de um aparelho mais simples, pequeno, leve portátil chamado Halimeter, foi possível fornecer ao clínico um importante aliado na quantificação e qualificação dos principais responsáveis pelo mau hálito- os CSV.

Caberia, então, a pergunta: como se livrar da saburra e da halitose?

Existem pelo menos três abordagens:
1- Remoção mecânica da saburra por meio de limpadores linguais;
2- Manutenção da superfície lingual o mais oxigenada possível como o uso de oxidantes bastante ativos;
3- Identificação da causa da redução salivar, para que se possa estabelecer o tratamento adequado.

Os dois primeiros itens garantem um hálito agradável, porém exigem a manutenção por tempo indefinido dos procedimentos. Já o terceiro item, uma vez realizado com sucesso, garante resultados mais duradouros, porque corresponde à eliminação da causa primária.

O sucesso do tratamento, feito por profissionais devidamente habilitados, tem sido bastante animador, reconduzindo o paciente ao pleno convívio social.


De autoria do cirurgião-dentista Paulo Haroldo de Paulo e Silva costa
Publicado na Revista Medicina Social de Grupo
Ano XVI nº 181- abr/mai/jun 2003



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