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GLBT, Arco-íris, Fiéis, Foliões e os Corredores de rua

A Raul Lopes é a única avenida de Teresina? Ou a única onde se pode fazer algum tipo de apresentação, demonstração, passeata, reivindicação, ou o que for?

Publicada em: 26/08/2011



?A Praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião?, já  cantava Caetano Veloso, nos anos de 1970, anunciando que o logradouro público de Salvador era do povo, para ser usado com liberdade e diversão. Por analogia, a Avenida Raul Lopes, em Teresina, deve ser utilizada pelo povo, sem discriminação. Assim tendo sido com todos os tipos de manifestações. A mais significativa e alardeada, por contar com o apoio público de todas as esferas, é a Parada da Diversidade, neste ano na 10ª Edição, movimento que tem como proposta ?combater todas as formas de preconceito e defender uma sociedade mais justa e com dignidade para todos?, conforme comentário da Marinalva Santana, do Grupo Matizes, responsável pelo evento.

O que buscam os manifestantes nada mais é do que preclara a nossa Constituição Federal, no caput do art. 5º:

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Há uma semana, a mesma avenida foi tomada, de súbito, pelos participantes da 19ª edição do Rally dos Sertões. Uma caravana com dezenas de carros, motos e caminhões fechou uma das faixas da Avenida Raul Lopes. Lambança geral. Acamparam, estacionaram os veículos cobertos de lama, subiram em canteiros e calçadas, danificaram, e foram embora com suas pompas de campeões. Legal, se não tivessem tirado o sossego de tantos que queriam a avenida para passear, brincar, correr, circular simplesmente.

No último dia 12 de junho, aconteceu a 16ª CAMINHADA DA FRATERNIDADE. Dispensam comentários seus objetivos, a organização e a história. A zona leste parou. Lembro-me que levei quase uma hora para contornar as ruas bloqueadas e chegar em casa, tamanho foi o evento e a contribuição da Strans, fechando todas as saídas até passar o último fiel. Nota 1000 para todos!

Não com o mesmo carisma e senso de altruísmo foram os desfiles de blocos no último carnaval pelas ruas residenciais da cidade. Na verdade eram pequenos grupos de foliões, esparsos, alcoolizados, caminhando trôpegos atrás de carros de som zoadentos, pertubando o sossego dos habitantes numa manhã de domingo. Sem graça, para mim. Mas a STRANS estava lá, fechando as ruas para que os cidadãos ? e isto não é ironia ? tivessem segurança no seu brincar.

Finalmente, no dia 14 de agosto, como parte das celebrações do 159º aniversário de Teresina, cerca de 100 atletas, corredores de rua, que pagaram R$ 20,00 pela inscrição, treinaram meses para o dia, alguns tendo vindo de outras cidades, outras Unidades da Federação, alguns dos quais sessentões. Faziam, os corredores, piruetas, desvios, zig-zag para não abalroar com crianças, carros, motos, viaturas da STRANS, bêbados, combatentes da homofobia, foliões, defensores das mais variadas causas. Enfim, TODOS, naquele DIA, resolveram ir à Avenida Raul Lopes. Até porque, aquele era O Dia dos Pais!

Naquele dia as viaturas chegaram atrasadas ao evento, e não esperaram o final para liberar as ruas.

Mas, e no dia-a-dia? Eles nem vão lá. Na melhor das hipóteses, policiais montados desfilam garbosamente em seus animais, assustando pedestres e crianças. Pra quê?

Os corredores de rua também têm seus propósitos: são organizados, defendem o esporte, a saúde, o meio ambiente, a democracia, a ética, a liberdade de expressão e o relacionamento saudável. Só precisam que o pessoal do STRANS saiba disso.

Vamos arrumar a casa. TODOS são iguais perante a Lei, mas o Poder Público tem que organizar as coisas, para que os direitos não conflituem, gerando uma disputa onde ninguém ganhará.

A Raul Lopes é a única avenida de Teresina? Ou a única onde se pode fazer algum tipo de apresentação, demonstração, passeata, reivindicação, ou o que for? Se for mesmo, vamos fechá-la em definitivo, porque o POVO é mais importante.

Uma coisa de cada vez. Senão, não poderemos cumprir o Art. 5º da CF.

A Avenida Raul Lopes é do povo, como o céu é do avião. Mas, para que os aviões voem até os seus destinos, e o povo desfrute dos seus direitos, é preciso organização. E este é um papel do Estado. Do contrário, os aviões trombarão nos céus, e o povo sofrerá em vão.

Ensaio por Altevir Esteves - advogado, escritor e corredor.
Edição: JC e F.C.
26.08.2011



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