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ANÁLISE


Doenças crônicas podem conduzir as empresas de saúde ao colapso

Publicada em: 19/01/2006



Por Fabio de Souza Abreu (*)

Epidemia de doenças crônicas pode conduzir as empreas de saúde ao colapso. O mundo deve fechar o ano de 2005 contabilizando o registro de 35 milhões de mortes em conseqüência de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e respiratórias, entre outras. A previsão é que esse número cresça 17% nos próximos anos, caso governos não tomem medidas para deter essa epidemia chamada doença crônica. O alerta foi feito recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em seu relatório, a OMS faz ainda um apelo para que se reduza em 2% por ano a taxa de mortalidade provocada por essas doenças.

No Brasil, dos 700 mil óbitos registrados em 2004, 70% ocorreram em razão de alguma doença crônica. Segundo dados do IBGE, 30% da população brasileira apresenta ao menos uma doença crônica. Acima de 40 anos esse índice pula para 50%.

Para analisarmos o impacto dessa epidemia no sistema de saúde, verifiquemos as conseqüências no setor privado. Dentre os 40 milhões de usuários de planos de saúde, dada a idade média ser maior que a população geral, cerca de 33% sofrem de algum tipo de doença crônica. Com um percentual de atingidos mais alto que a população geral, as doenças crônicas já causam um estrago difícil de reparar nas contas das operadoras.

Cada paciente crônico, dependendo de seu estado de saúde e do plano contratado, gasta, em média, R$ 9 mil por ano com médicos, exames laboratoriais, pronto-socorros e internações hospitalares. Uma pessoa considerada saudável custa, em média, R$ 300,00 por ano às operadoras. A diferença ultrapassa a casa dos 3.000%!

Esse fator ajuda a agravar ainda mais a já crítica situação do setor de saúde privado. São cerca de 2,1 mil empresas que, juntas, amealharam um faturamento bruto, em 2004, de R$ 31 bilhões. Parece muito, mas a grande maioria dessas empresas opera no limite... ou no vermelho.

A situação é delicada e é necessária a adoção de soluções imediatas para deter a crise; do contrário iremos assistir ao colapso desse segmento. Caso isso ocorra, os prejuízos serão incalculáveis para o setor público, já extremamente sobrecarregado, e sobretudo para os associados.

A situação é complexa. Não existe uma única ação que possa resolver a questão - é necessário empenho e ações em várias frentes. Mas existe uma solução eficiente, se implementada com profissionalismo: ações de controle e de estímulo à saúde, monitorando de forma evolutiva a saúde dos doentes crônicos. Ou seja, iniciativas para ajudar os crônicos a se manterem em boas condições de saúde, com possíveis intervenções no momento certo para manter ou recuperar sua estabilidade clínica.

Um bom exemplo ocorre na Abet: operadora do Plamtel, plano de autogestão da Telesp, ela adotou o controle e monitoramento de seus doentes crônicos.

Com isso, obteve uma economia bruta mensal de 52% do custo com plano de saúde por usuário, em um grupo piloto de 131 usuários monitorados por 12 meses, o que corresponde a cerca de R$ 660 mil por ano para a Abet. O custo por associado antes do monitoramento chegava a R$ 874,00. Isso representou um ROI (return on investiment) de 2,58 (para cada R$ 1,00 investido um retorno de R$ 2,58).

Entre os motivos está a queda no número de internações em hospitais: cerca de 70%. A utilização regrada e orientada por critérios preventivos torna esses pacientes mais equilibrados e, portanto, com menos necessidade de utilização do sistema por situações de desequilíbrio das suas enfermidades. Com esses resultados, a meta é de ampliar a abrangência do programa para grupos de prevenção ainda mais precoces.

Experiências como essa ensinam que é possível evitar o colapso do setor com iniciativas que estão longe de ser mirabolantes. Tais atitudes podem, para além de evitar a crise, proporcionar uma nova realidade financeira para o sistema de saúde e melhorar a vida dos pacientes. O que parece impossível já existe e funciona muito bem.

(*) o autor é diretor-executivo da AxisMed Gestão Preventiva de Saúde

Fonte: Gazeta Mercantil



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