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Cérebro x Injustiças

Ver a justiça sendo feita ativa o sistema de recompensa do cérebro, o que nos deixa satisfeitos.

Publicada em: 21/06/2011



O que é justo? Uma definição simples é "aquilo que corresponde aos seus valores de certo ou errado". O senso de justiça, ao se atrelar ao certo/errado, é, portanto moral -e, por isso, muitos esperariam que fosse racional. Mas não é: tanto os julgamentos morais quanto o senso de justiça são altamente emocionais. E é bom que seja assim.

Se fôssemos guiados só pela racionalidade, aceitaríamos qualquer oferta que nos beneficiasse, por mais injusta que fosse (considerando que qualquer dinheiro é melhor do que nenhum), e pouco importaria se ofertas injustas são intencionais ou não.

No entanto, aceitamos deixar de ganhar, ou mesmo perder tempo e dinheiro, para evitar injustiças -o que soa completamente irracional-, e até oferecemos compreensão a quem é obrigado a ser injusto conosco. Com isso, ganha a sociedade, e nós também ganhamos: a longo prazo, nossa rejeição de injustiças contribui para coibir novas ofertas injustas.

O detalhe importante é que a aversão à injustiça é automática e sem esforço. Quanto mais a ínsula (anterior ao córtex) é sensível a essas violações do que cada um julga socialmente aceitável, maior o grau de aversão de cada pessoa à injustiça. Às vezes, contudo, propostas injustas acabam sendo aceitas.

Nesses casos, o que se encontra no cérebro é uma menor ativação da ínsula (a injustiça é repulsiva, mas suportável) e um aumento da atividade na região pré-frontal que suprime emoções negativas. Ou seja: tolerar tratamentos injustos requer muito controle emocional.

Por outro lado, ver a justiça ser feita leva à ativação do sistema de recompensa do cérebro, o que nos deixa involuntariamente satisfeitos. E assim caminha a humanidade: repudiando injustiças e preferindo a justiça sem precisar pensar muito a respeito. É, há esperanças...


Fonte: Folha de S. Paulo/Suzana Herculano-Houzel
Edição: F.C.
21.06.2011



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