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ALERTA


Automedicação: Uma terapia arriscada e perversa

Publicada em: 07/02/2006



Babosa é bom para os cabelos ou para combater o câncer? Muita gente acha que é um bom remédio para as duas coisas. No primeiro caso, você vai se frustrar,já que os poderes dessa planta são apenas cicatrizantes. No segundo, pode criar um problema de saúde.

No hospital Santa Catarina, em São Paulo, um paciente internado para tratamento de câncer queixava-se de diarréia e estava difícil encontrar a causa do distúrbio. “Conversando com o doente, fiquei sabendo que a irmã trazia e ele tomava diariamente chá de babosa”, conta Adriano Brigatti Jarmelo, farmacêutico-bioquímico da instituição. Descoberta a causa, a diarréia desapareceu.

A automedicação é uma prática bem intensionada, porém perversa. Quando reconhece os sintomas de uma determinada doença, a maioria das pessoas resolve se tratar por conta própria, ou é aconselhada por amigos ou vizinhos não habilitados para esse tipo de orientação. “Essa imprudência pode gerar desconfortos, OU até distúrbios gravíssimos - inclusive a morte. Ao tomar um antibiótico “que fez bem” a um colega, ou que foi indicado por um  parente, o indivíduo pode sofrer alergias, irritação no estômago, gastrites, modificação da flora intestinal e, pior, resistência bacteriana”, adverte Jarmelo.

Mesmo comprado com receita médica, o remédio precisa ser ingerido de acordo com as recomendações, para não provocar danos ao organismo. Por exemplo, deve-se ter atenção à indicação de faixa etária. “Há três grupos mais suscetíveis ao medicamento”, explica Jarmelo, “Crianças, porque não apresentam o organismo desenvolvido completamente; mulheres grávidas, pois estão gerando uma nova vida e podem transmitir substâncias que coloquem em risco a saúde e a vida do bebê; idosos, pois a eliminação dos medicamentos em seu organismo é mais lenta”.

Mau hábito e mau exemplo

Outra ameaça à saúde é aderir a uma novidade fora do quadro em que foi prescrito, como usar ácido acetil salicílico, o conhecido A.A.S para “refinar” o sangue. De fato, esse princípio ativo tão comum nas formulações para aliviar, entre outros males, a dor de cabeça, vem sendo indicado para pacientes infartados ou que sofrem de distúrbio da coagulação, como tromboses. Só que “o uso indiscriminado dessa substância pode acarretar o surgimento de úlceras e até mesmo de hemorragias”, afirma o farmacêutico-bioquímico.

Mau hábito entre adultos, o autotratamento é igualmente um mau exemplo que os pais dão par aos filhos. Jarmelo lembra que remédios pediátricos, produzidos para facilitar a administração, ou seja, com forma, odor e sabor agradáveis, podem ser ingeridos em grandes quantidades se deixados ao alcance da garotada. “Essa é a causa da maioria das ocorrências registradas nos centros de desintoxicações”, adverte.

Crenças e mitos

Abandonar a alopatia pelas plantas medicinais pensando eliminar riscos é um grande equívoco. “A fitoterapia resolve diversos males simples como constipação, diarréia, cólicas e resfriados. Mas não serve para tratar doenças como diabetes, Aids e câncer”, explica Jarmelo.

Ele observa, também, que “Nem todas as plantas medicinais têm seu poder de cura conhecido cientificamente, deve-se buscar informações sobre o fabricante, pois esses produtos podem ser falsos, adulterados, não-higiênicos e conter bulas com várias impropriedades, como recomendações incorretas”.

A interação entre remédios industrializados e chás medicinais também é fator de risco. O maior perigo é associar medicamentos de uso crônico para diabetes, repositores de hormônio, anticoagulantes, psicotrópicos e anti-retrovirais ao famoso chá da vovó.

fonte: Revista Medicina Social



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