ARTIGOS

HOME > ARTIGOS



HOME > ARTIGOS




INTERNET


Ativismo moderno: clique aqui para salvar o mundo

Com um clique é possível plantar uma muda de árvore ou assinar uma petição contra o desmatamento da Amazônia. Conheça o ciberativismo.

Publicada em: 05/09/2007



Colaboração, um dos sinônimos da Web 2.0, não é um termo novo para os ativistas. Com a popularização da internet, em meados da década de 90, a facilidade de conectar pessoas de diversas partes do mundo, promover discussões e mobilizá-las mais rapidamente por um causa ambiental, social ou política deram origem ao ciberativismo.

Hoje, a grande rede oferece uma série de canais e ferramentas para quem deseja abraçar uma causa. Com um clique é possível plantar uma muda de árvore no Brasil, enviar um e-mail direto ao primeiro ministro do Iraque, ingressar em uma regata rumo a Guantánamo, assinar uma petição contra o desmatamento da Amazônia, enviar sua foto em uma campanha mundial contra o desarmamento ou organizar uma manifestação em praça pública de um milhão de pessoas.

Com mais de 60% de seus colaboradores vindos da internet, a organização não-governamental Greenpeace pratica o ciberativismo desde 1998. "Naquela época, nós passávamos as mensagens para nossas listas pessoais e todo mundo mandava do seu próprio e-mail direto para o presidente [da República]. Se podíamos passar correntes de orações, poderíamos também mandar mensagens para um político pedindo que ele fizesse seu trabalho em prol do meio ambiente também", lembra Mariana Schwarz, gerente de marketing de relacionamento do Greenpeace Brasil.

Com o suporte de uma ação virtual, segundo Schwarz, em 2006, o Greenpeace colaborou para a criação da "Moratória da Soja", que impede a comercialização da soja cultivada em áreas de desflorestamentos no Bioma Amazônico. Por meio das filiais européias da ONG, foram enviadas cópias do relatório "Comendo a Amazônia" para pressionar a rede McDonald´s, que na época comprava soja cultivada na região pela Cargill. "Isso resultou em um acordo entre o McDonald´s e a Cargill para que, durante dois anos, não se plantasse soja na Amazônia, que é um dos principais vetores de desmatamento da nossa floresta", conta.

David de Ugarte, economista e ciberativista espanhol, lembra de outro caso ocorrido recentemente na Grécia, onde milhares de pessoas foram mobilizadas via mensagens SMS para protestar contra a gestão dos incêndios que assolaram o país neste verão.

Ugarte afirma que, mais do que os próprios incêndios, as mobilizações na Grécia reduziram as expectativas eleitorais do atual governo daquele país. "Ao ver cada vez mais gente nas ruas, muitos eleitores estão perdendo o medo (...). Isso, por sua vez, parece ter gerado uma massa crítica opositora, que se sobrepõe aos partidos de oposição, incapazes por si mesmos de capitalizar e levar adiante o processo" avalia.

A internet é uma poderosa
ferramenta de mobilização
A internet, na visão de Ugarte, é uma ferramenta poderosa de mobilização, mas reflete um movimento que já se estruturava naturalmente em rede. "Se as redes das quais falamos são as que fazem as pessoas se relacionarem umas com as outras, a sociedade sempre foi uma rede. E se falarmos dos movimentos de ativistas, eles também sempre estiveram aí, relacionando-se uns com os outros em uma espécie de universo ‘hiperativo’ e paralelo", comenta na apresentação de seu livro, finalizado em 29 de agosto, que conta com uma versão online e outra em papel.

Para a ONG WWF (World Wildlife Fund), a internet é uma poderosa ferramenta para unir forças entre os mais de 5 milhões de colaboradores independente da localização. “A idéia é sempre que possível reunir os ciberativistas dos mais de 100 escritórios do WWF no mundo nas campanhas”, afirma Fernando Zarur, especialista em conteúdo web do WWF Internacional. Por meio do portal Passaporte Panda, por exemplo, um brasileiro pode assinar uma petição online contra a poluição do Mar Báltico.

Quando se trata de uma ação mais específica em alguma região do Brasil, por exemplo, o banco de dados da organização oferece mais de 80 mil nomes, que podem ser convocados por região. "Além de colaborar, o participante pode usar a ferramenta virtual para somar pontos pela sua participação e acompanhar os resultados de suas ações pela rede”, detalha Zarur.


Agilidade e redução de gastos

Do outro lado da moeda, o uso da tecnologia caiu como uma luva para organizações não-governamentais, que contavam com poucos recursos para divulgar e promover suas ações. "Imagine o esforço que era fazer um abaixo-assinado e conseguir um milhão de assinaturas pela despoluição do Rio Tietê, em 1991, com gastos para mobilizar pessoas, mídia, ambientalistas e personalidades", lembra a jornalista Malu Ribeiro, coordenadora de projetos de gestão e recursos hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica.

"Hoje, você monta uma petição online, encaminha para várias listas e ainda tem um programa que envia automaticamente um e-mail para os políticos e autoridades responsáveis. É um acesso, que favorece o exercício da cidadania, além de ser muito mais fácil e barato", compara.

Uma das ações virtuais de sucesso, segundo a jornalista, foi garantir acesso de ONGs e universidades à alocação de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, o Fehidro, por meio de campanha online, que colaborou com a alteração da lei do Fehidro, em 2000. "Fizemos uma coisa bem caseira. Montamos uma sala de chat, convidamos deputados para as discussões online, enviamos e-mails etc."

Graças à internet, segundo Ribeiro, foi possível aproximar 7.500 cidadãos do controle de qualidade de 315 pontos hídricos de São Paulo, pelo projeto da Rede das Águas. Pelo site, o interessado faz um cadastro na rede de controle, aprende a coletar e analisar a água em sua comunidade. Com os resultados práticos, a rede de ciberativistas tem poder de pressionar autoridades pela despoluição de rios e córregos.

Não basta clicar

Abraçar uma causa com um clique já é um bom começo, mas o ciberativismo não deve se resumir à internet, afirmam Martha McCaughey e Mike D. Ayers, autores do livro "Cyberactivism: Online Activism in Theory and Practice" (Editora Routledge, 2003).

Na visão de McCaughey, professora de Estudos Interdisciplinares da Universidade Estadual Appalachian, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, geralmente, as pessoas se engajam tanto no ativismo online como no "tradicional". Para ela, as vantagens do ativismo online são a velocidade e o alcance proporcionados pelas comunicações via internet.

"Os ativistas sempre usaram jornais, campanhas por cartas, boicotes e outros meios para comunicar suas conquistas, organizar apoios e [promover] mudanças efetivas".

"Acredito que qualquer pessoa sempre pode ser um ativista se quiser fazer algo a respeito de um problema social", finaliza.

Navegando por uma boa causa

Veja aqui algumas campanhas que buscam mobilizar ativistas online:


Contra barragens no Ribeira
Campanha lançada pelo Instituto Sócio Ambiental (ISA) pretende conscientizar a população sobre os problemas na implantação da barragem de Tijuco Alto, para geração de energia elétrica.


Contra a morte de mulheres por crimes de honra
A Anistia Internacional mantém uma campanha contra a violência causada às mulheres no Iraque, onde os ciberativistas podem enviar uma carta ao Primeiro Ministro Iraquiano Nuri Kamil al-Maliki.


O clique que vira uma árvore
O Projeto ClickArvore da Fundação SOS Mata Atlântica transforma os cliques em seu portal em mudas nativas, reflorestando áreas de mananciais e de preservação ambiental.


Passaporte Panda
A WWF-Brasil oferece o passaporte panda, um cadastro no sistema da organização que dá direito ao internauta de participar das várias ações do WWF pelo mundo, enviando e-mails para autoridades, sendo convocado para passeatas e ações, tanto na internet como no mundo físico.


Um milhão de rostos contra o armamento
O projeto Control Arms é uma petição visual para demonstrar a preocupação das pessoas em relação às armas e guerras, manifestando sua opinião contrária à violência.


20 anos de Césio-137
O Greenpeace, em seu painel de ciberativismo, lança uma nova campanha exigindo que o governo tome medidas mais sérias relacionadas à energia nuclear.


Rumo à base de Guantánamo
Uma ação criativa e interativa pretende fechar a base militar de Guantánamo, alegando que seus prisioneiros são tratados de maneira desumana, não tendo muitas vezes nenhuma relação com o terrorismo.

 

Fonte: IDGNow
Edição: F.C.
05.09.2007



Comentários (0)

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.







Destaques: