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PAIS E FILHOS


Adolescência e Puberdade - Parte I

A adolescência é uma fase tumultuada tanto na vida dos jovens, como também na vida dos pais. Compreender o que se passa com o filho é o primeiro passo para ajudá-lo a enfrentar esse momento tão conturbado.

Publicada em: 08/08/2007



A adolescência é uma fase tumultuada tanto na vida dos jovens, como também na vida dos pais. Compreender o que se passa com o filho é o primeiro passo para ajudá-lo a enfrentar esse momento tão conturbado.

Para auxiliar aos pais nessa difícil tarefa, nos próximos dias a seção Artigos trará uma série de informações sobre as mudanças físicas e psiquícas pelas quais passam as pessoas na transição entre infância e adolescência.

Adolescência e Puberdade 

O mundo mudou. No dias de hoje, as crianças e adolescentes estão mais sozinhas ou mais na convivência de amigos do que com a família. O pai, a mãe, ou qualquer outra figura de ligação familiar está se tornando rarefeita.

Mesmo quando dentro de casa, o adolescente ou a criança, geralmente, está solitariamente assistindo à tevê, na internet. Ao mesmo tempo, parece razoável atenuar o peso atribuído à televisão quando se constata que os espaços das ruas, antes destinados às brincadeiras ao ar livre, agora estão ocupados por prédios, carros e ladrões. A rua perdeu seu lugar de expressão coletiva dos jogos e das brincadeiras.

Não é difícil perceber que as crianças, mesmo tendo nascido no seio de uma família, estão cada vez mais solitárias e à mercê de seus pares da rua, da escola e do apelo cultural para que se tornem, rapidamente, adultos esbeltos, ricos, famosos, na moda e plenamente sexualizados.

Crianças e adolescentes solitários
Crianças e adolescentes já não são mais os mesmos. Hoje, eles participam avidamente do mundo dos adultos. Atualmente temos visto, cada vez mais precocemente, crianças que assumem o papel social de adolescentes e estes, por sua vez, cada vez mais precocemente, assumem o papel social de adultos. E dando asas à imaginação, parece, salvo melhor juízo, que essa adolescência precoce tem arrastado consigo a puberdade precoce, principalmente a feminina, com meninas de 9-10 anos menstruando e desenvolvendo seios.

Cada cultura possui um conceito de adolescência, baseando-se sempre nas diferentes idades para definir este período. No Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente define esta fase como característica dos 13 aos 18 anos de idade.

Já a puberdade tem um aspecto biológico e universal, caracterizada que é pelas modificações visíveis, como por exemplo, o crescimento de pêlos pubianos, auxiliares ou torácicos, o aumento da massa corporal, desenvolvimento das mamas, evolução do pênis, menstruação, etc. Estas mudanças físicas costumam caracterizar a puberdade, que neste caso seria um ato biológico ou da natureza.

A adolescência, por sua vez, é uma atitude cultural. A Adolescência é uma atitude ou postura do ser humano durante uma fase de seu desenvolvimento, que deve refletir as expectativas da sociedade sobre as características deste grupo. A adolescência, portanto, é um papel social. E esse papel social de adolescente, parece sempre ter sido simultâneo à puberdade.

Mas hoje - com toda a velocidade com que ocorrem as mudanças corporais - já não podemos explicar a adolescência como sendo fruto da interferência da puberdade no papel social da pessoa, mas, muito pelo contrário, vamos acabar tendo que explicar a puberdade precoce das nossas crianças como sendo interferência do panorama social no biológico humano.

Se vamos acreditar na interferência do social no biológico, na ação da adolescência sobre a puberdade, seremos obrigados a aceitar a interferência do comportamento dos adultos em relação aos adolescentes e à puberdade.

A dúvida, aberta a pesquisas, é saber até que ponto a expectativa e entusiasmo da

Adolescência: uma atitude cultural
mãe em ver sua filha se transformando em apresentadora ou astro de televisão, ser modelo ou vencedora de concursos de beleza resultarão numa puberdade precoce. A dúvida, também, é saber se essa amputação da adolescência normal não resultará em prejuízos vivenciais maiores do que os benefícios advindos da pretendida glória da filha no mundo dos adultos, sabe-se lá para satisfazer quais anseios maternos.

Em 1840 a idade média da menarca (primeira menstruação) rondava os 16-17 anos, idade claramente coincidente com o momento da incorporação da adolescente na vida adulta, na responsabilidade do matrimonio e da procriação.

Paradoxalmente, hoje em dia, nenhuma família se sentiria à vontade se a filha de 16 anos assumisse responsabilidades matrimoniais, mas não obstante, aceita-se que participe plenamente (ou quase) das liberdades sexuais do mundo moderno. Hoje a sociedade espera que a jovem de 16 anos estude, se forme e encontre seu papel na sociedade. Entretanto, atualmente a média da menarca se situa em torno dos 12.8 anos.

Fonte: PsiqWeb
Edição: Clarissa Poty
08.08.2007



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