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CAMINHADA


Meta de andar 10 mil passos por dia para melhorar a saúde funciona?

Médicos avaliaram um grupo que caminhou 10 mil passos por dia e outro que fez caminhadas intensas, mas rápidas, três vezes ao dia para saber qual a melhor para a saúde.

Publicada em: 02/02/2018



Você já esbarrou em alguém na rua que olhava ansiosamente para o pulso? Quase 60 anos depois do surgimento da recomendação de se caminhar 10 mil passos por dia, muita gente ainda usa o esse número "mágico" como meta diária de exercício – contando, inclusive, com a ajuda da tecnologia, como o relógio que registra a caminhada, para monitorá-la de perto. Mas este é realmente um objetivo pelo qual que vale se empenhar ou pode haver algo melhor? E de onde saiu esse número? Curiosamente, ele tem como origem uma campanha de marketing do Japão dos anos 1960.

Na preparação para a Olimpíada de 64, em Tóquio, uma empresa criou um dispositivo voltado aos consumidores preocupados com a saúde. Ele era chamado de Manpo-Kei. Em japonês, "man" significa 10 mil e "po" e "kei", medidor. Literalmente, a expressão significa "medidor de 10 mil passos". O aparelho foi um dos primeiros podômetros, baseado no trabalho do dr. Yoshiro Hatano, um jovem acadêmico da Universidade Kyushu de Saúde e Bem-Estar.

A motivação de Hatano eram as recentes mudanças de hábito que ele percebia nos japoneses - que estariam "importando" o estilo de vida pouco ativo dos americanos junto com o apreço crescente que sentiam pelo baseball. O cientista queria, então, incentivá-los a se movimentarem mais.

E concluiu que, se pudesse persuadir seus compatriotas a aumentarem o número diário de passos da média de 4 mil para cerca de 10 mil, eles queimariam cerca de 500 calorias a mais por dia e continuariam saudáveis. Foi assim, aparententemente, que o método dos 10 mil passos por dia surgiu. A novidade foi um grande sucesso de marketing na época, mas ela ainda é efetivamente o melhor jeito de manter nossa saúde física?

Só no tricô
Para o programa "A Verdade sobre entrar em forma", fui a uma fábrica em Sheffield (no condado de South Yorkshire) acompanhado do professor Rob Copeland, da Universidade Sheffield Hallam. Nosso objetivo era fazer um pequeno experimento para comparar os benefícios dos 10 mil passos com outro método, um programa chamado Active 10. Com o Active 10, não é preciso contar os passos, mas fazer três caminhadas intensas de 10 minutos por dia. Todas as pessoas que participaram do experimento têm motivos diferentes para quererem ficar em forma.

Dave, por exemplo, sabe que ganhou peso e não tem mais o físico que costumava ter. Judy confessa: "Minha única atividade no momento é tricotar". E Nathan, pai de uma menina de seis anos, diz que a filha corre rápido e que não consegue acompanhá-la. Nosso pequeno grupo de voluntários foi equipado com monitores de atividades, então foi possível saber não apenas o que estavam fazendo, mas também o quanto de energia gastavam nelas.

Copeland os dividiu em dois grupos. Um que teria que cumprir a meta diária de 10 mil passos - cerca de 8,5 km -, enquanto o outro faria as três sessões do Active 10, com mais ou menos 3 mil passos cada uma. O pesquisador recomendou ao segundo grupo que não caminhasse devagar. A ideia era andar rápido - não tanto que os impedisse de falar, mas o suficiente para que não pudessem cantar -, para trabalhar o sistema cardiorrespiratório.

Passos rápidos
Os resultados mostraram que dois dos três voluntários do grupo 1 conseguiram atingir a meta de 10 mil passos diários, mas todos tiveram dificuldade. Já o grupo do Active 10 achou a tarefa relativamente fácil. Seus integrantes combinaram de se encontrar em momentos de pausa durante o dia e faziam as caminhadas rápidas juntos. O professor Copeland analisou os dados dos monitores de atividades e disse que os resultados foram claros.

"O grupo do Active 10 fez 30% a mais de atividadade física moderada a vigorosa do que o dos 10 mil passos, mesmo que tenha sido por menos tempo. E é quando você está fazendo atividade com intensidade moderada que obtém os melhores benefícios para a saúde", diz ele, já que há aumento da frequência cardíaca com a respiração ofegante.

"O que eu realmente quero é que vocês aumentem o batimento cardíaco. Há evidências que sugerem que, ao fazer isso, diminui-se o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e de incidência alguns tipos de câncer", diz Copeland.


Fonte: G1
Edição: F.C.



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